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os Metá Negras – ep 01 Kiko Dinucci

Quando iniciei estas palavras por aqui minha intenção era pegar um artista e fazer conexões com outros, seja com gravação, no palco, no boteco, o que for. E na época perguntei para alguns artistas e o Kiko Dinucci comentou sobre Os Mulheres Negras que iria acontecer na mesma semana na Casa de Francisca. Não rolou na época de conciliar pensamento com vontade, mas hoje ouvindo e relembrando daquela noite sinto que é o momento certo. Ainda que novas apresentações estão surgindo, ontem rolou uma (linda!), hoje teremos outra e segundo consta 2014 teremos mais! (Vai Brasil!).

Kiko e os Mulheres

“Ouço Os Mulheres Negras desde os anos 80, era a banda do André Abujamra (filho do Ravengar da novela) e Mauricio Pereira. Tinha gravado em fita os seus dois discos de carreira, ‘Música e Ciência’ e ‘Música Serve Pra Isso’.
Quando a banda se desfez, Mauricio foi trabalhar na TV como cantor no programa Fanzine, lançou um disco chamado Na Tradição e André montou o Karnak, depois de ter passado também pela banda Vexame.
Os dois gravaram outros discos. Segui acompanhando o trabalho dos dois e depois virei amigo deles.
É bom ter ídolos da música independente porque eles podem ser mais acessíveis. Hoje são meus amigos, mas não deixam de ser meus ídolos.
Enfim, depois de ter trabalhado com eles separadamente (Mauricio já gravou uma canção minha chamada ‘Depressão Periférica’ e já fiz alguns shows com André) agora tenho a oportunidade de dividir o palco com os dois juntos, pois Os Mulheres continuam a tocar. Dividirei palco com esses carinhas que usam sobretudo e chapéu coco de palha, me lançarei pra outra época, de quando eles com sua música me ensinaram a ser um artista menos conformado”.

Foto de Izabela Bueno via instagram

Foto de Izabela Bueno via instagram

Eu fiz de tudo para não replicar exatamente o que ele falou, mas foi impossível. Quem o conhece sabe das histórias que ele gosta de contar e que nós adoramos ouvir. Vamos então ir ponto a ponto na declaração e claro acrescentar muitos outros fios de ligação com o Kiko.
Kiko, ao meu ver,  são várias pessoas misturadas dentro de si. É Juçara, França, Cabral, Rodrigo, Romulo, Mauricio, Abujamra, Tom Zé, Itamar, Germano, isto só para citar alguns! A lista é enorme! É incrível vê-lo no palco, poder ler suas letras, ver toda sua perfomance com cada pessoa que ele trabalha. Tive a oportunidade de ao vivo vê-lo com alguns citados, mas hoje em dia a internet é um forte para quem não teve a mesma sorte.
Ao ler algumas entrevistas, matérias e ver alguns vídeos sobre sua história ou sua música, vejo que é unânime colocá-lo como dinâmico e um belo contador de histórias. Seja nas letras, nas melodias, no bate-papo entre uma música é outra, nas suas ilustrações…compromisso total com as várias formas de arte que ele pode proporcionar (em seu site vocês podem entender melhor do que estou falando)! E compromisso igual com cada semelhante seu que ele leva de algum jeito para os palcos.

Dentre outras coisas, a semelhança de Kiko com os Mulheres são as muitas letras sem refrão como o Mauricio disse “desejo de expandir a canção, quebrar formas, trazer novas sonoridades. Meter agressão nela.”. Vejo muito disto tanto nas letras como na forma que o Kiko toca seja com o violão ou guitarra. Ele se funde com o instrumento e tudo vai fluindo durante o show.
Toda minha intenção de fazer uma bela resenha-história veio em formato de link clandestino que está rodando na internet e aconselho a fazer um download rapidinho antes que vire fumaça. Outro conselho é ficar de olho no próximo encontro, pois é história para levar para a vida. Ver que ali no palco 2+3 são mais do que 5.

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